quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Cisne negro

Presenciar o auge da carreira de Darren Aronofsky é um enorme privilégio. Aronofsky não é apenas um dos melhores diretores de sua época, como também é um cineasta autêntico e singular. Com obras cultuadas como Pi, Requiem Para um Sonho e O Lutador, o diretor sai de sua minúscula zona de conforta e arrisca em Cisne Negro. A coragem vale cada centavo.
Cisne Negro acompanha a bailarina Nina (Portman), que está atrás do papel principal em uma nova versão de O Lago dos Cisnes, dirigido por Thomas Leroy (Cassel). Ela é perfeita para o papel da Princesa Odette / Cisne Branco, mas Leroy não consegue enxergar em Nina a personagem Odile / Cisne Negro, irmã diabólica de Odette. Nina busca o papel com dedicação, mas se vê ameaçada pela chegada de uma nova dançarina, Lily (Kunis). Apóis conseguir o papel principal, Nina sente a pressão das personagens além da bruta direção de Leroy. Ela começa a perder a cabeça e lentamente vai ficando mais parecida com Odile, desmoronando com sua mente em destruição e o confronto pessoal com Lily. É a busca pela perfeição no papel que acaba
O primeiro passo para a transformação de Cisne Negro em um grande filme foi a sugestão de Aronofsky para mudar o cenário de roteiro, que inicialmente era focado em uma companhia teatral de Nova York. O diretor explora o balé com toques de sutileza e crueldade, mostrando a vida de uma artista pressionada e em extrema competição com as colegas de trabalho. Talvez o filme não descreva uma realidade, mas o mundo comandado por Aronofsky é brilhante e envolvente. Assim como em O Lutador, o diretor mergulha de cabeça em uma área pouco conhecido pelos espectadores, e o transforma em um cenário complexo, explorando a possibilidades das personagens de O Lago dos Cisnes dentro da cabeça de Nina.
É impossível entrar em mais detalhes sobre a trama, pois correria riscos de revelar fatores importantes do roteiro. É uma experiência complicada, agonizante, angustiante, que surpreendentemente acaba de uma forma brilhante e bonita. Tecnicamente o filme é excepcional, com um trabalho excelente de Matthew Libatique na fotografia, especialmente nas cenas de dança, e uma trilha sonora precisa. Aronofsky não esquece de seus toques pessoais em cena, principalmente nas tomadas por trás das pessoas, muita utilizada em O Lutador.
Com tudo ao seu favor, o elenco é fantástico. As coadjuvantes Mila Kunis e Barbara Hershey brilham como Lily e Erica, mãe super protetora e obcecada pela carreira da filha. Vincent Cassel mostra sua versatilidade como o peculiar Leroy, diretor da companhia de balé. Todos são vitais para a hipnotizante Natalie Portman, que simplesmente destrói cada cena de Cisne Negro. Dedicada ao papel, a atriz captura a confusão de uma jovem reprimida jogada em um cenário cruel e competitivo. Sua performance é assustadoramente autêntica, e atriz levará o Oscar para casa de forma justa (e quase unânime).
Cisne Negro se encaixa na categoria “ame ou odeie”, mas é obrigatório. Portman é irresistível, em uma das grandes atuações da última década.

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